Cartas sobre o Rio de Janeiro em geral

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  Jornal O Globo, carta dos leitores, Domingo, 31 de janeiro de 1999

Grande favela

  •   Estou morando fora do Brasil há mais de dez anos e fui passar o Natal e o Ano Novo com meus familiares e amigos brasileiros. Que decepção! Hoje nosso Rio é uma grande favela todos andam na rua com medo e tristes. O que aconteceu? Acho que os menos favorecidos tem todo o direito à moradia, mas por que eles tem de morar nos melhores lugares do Rio? Os impostos que os moradores de São Conrado pagam (um dos mais caros do mundo) são os mesmos dos moradores da Rocinha (de frente para o mar)? Em nenhum lugar do mundo acontece o que está acontecendo no Rio. Os cariocas têm de acordar. Não esperem por governantes ou demagogos. Não era meu plano voltar ao Brasil, mas agora acho que tenho um compromisso moral com minha cidade natal. O que mais me incomoda são os comentários da imprensa internacional, só cita nosso país como um grande estorvo. A cidade de Londres, que é um grande nada, tudo é velho, feio, estreito e caríssimo (moro aqui há quatro anos), vive cheíssima de turistas, todos dizendo "oh, que lindo!". Gostam de tudo, mas o que eles gostam é da segurança e da organização. Nossa cidade daria de mil em Londres, se não tivesse tanta favela, que gera medo, indignidade e torna a cidade mais linda do mundo numa verdadeira Angola pós-guerra.

EDILSON ESTEVES (21/01), Londres, Inglaterra


Jornal O globo, Cartas dos Leitores, Quarta-feira, 3 de março de 1999

Oficina nas calçadas

  • Por mais que a CET-Rio e a Prefeitura proíbam o uso das calçadas de pedestres por oficinas mecânicas e para estacionamento, o abuso continua. As ruas Fernando Guimarães e da Passagem, em Botafogo, são algumas que tem suas calçadas transformadas em grandes oficinas mecânicas e ponto de estacionamento. Se as autoridades fizessem uma ronda pelo local poderiam punir os infratores.

WILSON LIMA (25/02), Rio


 

  • Gostaríamos de parabenizar o prefeito pela nova medida destinada a retirar os carros estacionados em cima das calçadas em frente às agências de automóveis e acabar com as oficinas clandestinas no meio da rua. Infelizmente o prefeito esqueceu a calçada da Igreja da Ressurreição, na Rua Francisco Otaviano, em frente à Rua Bulhões de Carvalho, no Arpoador, onde funciona uma oficina, sem nenhum respeito às centenas de pedestres que ali passam e, mais, em flagrante desrespeito à Igreja Católica.

ALFREDO LOPES BORNHAUSEN
(por e-mail, 26/02), Rio


Jornal O globo, Carta dos Leitores, Sexta-feira, 19 de março de 1999

Invasões

  • Basta olhar com atenção o Rio para notar que as invasões estão tomando conta do espaço urbano. Não há um bairro que não esteja ameaçado pelo crescimento desordenado das favelas. E não se vê providência para conter a situação. A Mata Atlântica vai sendo devastada, empobrecendo nosso maior patrimônio, que é a natureza. Há cinco anos não se via a Rocinha da Lagoa. Hoje, uma imensa mancha faz parte da paisagem. Conter o avanço de ocupações que destroem o patrimônio turístico da cidade é dever de quem pensa no futuro de uma população que tem na atividade turística suas melhores oportunidades de trabalho. No Rio, mais do que em outro lugar, a paisagem é business.

LUCIANO BASTOS
(por e-mail, 16/03), Rio


Jornal o Globo, Carta dos leitores, Sexta-feira, 12 de abril de 1999

Miséria e luxo

  • Um dia perguntado por que levou tanto luxo às favelas através do grandioso carnaval que realizou na Beija-Flor, Joãozinho Trinta respondeu: "Quem gosta de miséria é intelectual, o povo gosta é de luxo". Sábio Joãozinho. Só faltou ele dizer que há certos sociólogos que acreditam numa sociedade nivelada e lutam por isso, mesmo que tenham que nivelar por baixo e levam a questão tão a sério que se assessoram com iluminadas cabeças procedentes de Harvard e de outros centros de excelência para transformar a classe média e a miserável numa classe pobre (com direito a frango e dentadura). Aí, fica todo mundo igual e está resolvido. O rico? Ora, o rico é rico, ele manda, e aí dá para ficar acima disso tudo.

SILVANA MONTEIRO MOURA DA COSTA
(por e-mail, 6/04), Niterói, RJ


Jornal O Globo, quinta-feira, 15 de abril de 1999

Favelas

  • O prefeito Luiz Paulo Conde vem repetindo sistematicamente uma proposta que a maior parte da população deve considerar impraticável: garantiu transformar as favelas em bairros, com saneamento e outros benefícios e recuperar toda a área perdida da Reserva Atlântica para desmatamento. Como sabemos, as favelas são as maiores responsáveis pelo desmatamento de nossas encostas. Compete ao senhor prefeito explicar como fará tal milagre ou pelo menos pedir desculpas pela agressão que faz à nossa inteligência.

RONALDO CARRASCO
(8/04), Rio


Jornal O Globo, Carta dos leitores, Quarta-feira, 5 de maio de 1999

Floresta da Tijuca

  • "Floresta da Tijuca ganha cara nova", esta a manchete desse jornal em 2/05. Pois bem, gostaria de saber o que nossas autoridades consideram como Floresta da Tijuca, já que até agora apesar de minhas denúncias quanto a diversos focos de favelas em plena Av. Edson Passos, que corta a floresta, nem a Prefeitura, nem o Ministério do Meio Ambiente, a Comlurb, a Fundação Parques e Jardins e a Guarda Municipal tomaram alguma providência. Ou será que essas favelas fazem parte do modelo de preservação ambiental planejado por nossas autoridades?

ISAAC GOLDENBERG
(por e-mail, 2/05), Rio


Jornal o Globo,Cartas dos leitores, domingo, 20 de junho de 1999

Lagoa agonizante

  • Na Região dos Lagos, a Lagoa de Araruama agoniza lentamente. Os melhores prognósticos indicam a extinção da flora e da fauna nos próximos seis anos. Falar em banho é proibido. As autoridades municipais, estaduais e federais, de braços cruzados, aguardam as soluções caírem do céu. O próprio Ministério Público, instado em 1995 a se manifestar na qualidade de curador especial do meio ambiente, nada fez. Enquanto isso, diariamente os cinco municípios banhados pela lagoa jogam nela milhões de litros de esgoto in natura em razão de sua massa populacional, que atinge a mais de meio milhão de pessoas. Proibir, fiscalizar e multar os agentes poluidores, isso dizem que de nada adianta. O que de fato iria resolver? Criar um consórcio envolvendo os municípios? Cuidar de toda a bacia hidrográfica, enquanto o paciente morre de hemorragia abdominal? Precisamos primeiro é salvar o paciente. De nada nos adianta cuidar de um morto. Com a palavra a Feema, a Seria, o Ibama e as prefeituras municipais.

VALDIR CAMPOS G. DE CARVALHO
(por e-mail, 8/06), Araruama, Rio


Jornal O Globo, Carta dos Leitores, terça-feira, 24 de agosto de 1999

Ajuda aos pobres

  • Algum tempo atrás, um grupo de estudantes alemães veio ao Rio "passar férias ensinando e ajudando os pobres" de uma favela. Passaram aqui quase uma semana. Soube depois que eles, ao voltarem à Alemanha, foram olhados como heróis. Há poucas semanas, apareceu outro grupo com as mesmas intenções. Pergunto: o que se pode aprender em menos de uma semana, com gente que não fala nossa língua e não tem a menor idéia das necessidades do lugar? Pintar paredes, como vi na TV, mais da metade de moradores da favela sabe fazer e faz como profissão há mais tempo do que os estudantes têm de vida! E por que a insistência tão longe? Se eles têm tanta necessidade de ajudar, por que não ajudam quem está perto deles? Em Kosovo, por exemplo.

GLAUCE FALCÃO
(19/08), Rio


Jornal O Globo, Carta dos Leitores, domingo, 5 de setembro de 1999

Degeneração urbana

  • O Rio, há anos, é vítima de governantes populistas que visam exclusivamente ao poder e permitem a degradação da cidade. Isso é facilmente demonstrável pelos pólos de favelização que se multiplicam, criando problemas de toda ordem. Esse processo degenerativo atinge os logradouros públicos, com excluídos que se amontoam em glebas - aí incluídos adultos e crianças -, criminosos em todos os cantos e, como não poderia deixar de ser, delegacias servindo de presídio. O resultado de tantos desmandos é a insegurança do cidadão.

SERGIO MARTINS VIANNA
(por e-mail, 2/09), Rio


Jornal O Globo, Carta dos Leitores, domingo, 3 de outubro de 1999

Rocinha cresce

  • A Rocinha dobrou a montanha e continua crescendo, ocupando todo um espaço de Mata Atlântica sem que ninguém se manifeste em prol da preservação ambiental. Onde estão as ONGs de proteção ecológica, onde está o Partido Verde para reclamar dessa devastação? Acho que algumas medidas deveriam ser tomadas, mesmo que impopulares. Do jeito que as coisas vão, em breve não teremos mais encostas verdes na cidade.

HENRIQUE CORREA MACHADO
(por e-mail, 25/09), Rio


Jornal O Globo, Carta dos leitores, terça-feira, 2 de novembro de 1999

Imóvel na favela

  • Dia 26 de outubro, Sofia Cerqueira escreveu sobre um grupo de grileiros espertíssimos que se apoderam de praças e pistas de rolamento, terrenos públicos, para construírem sem licença, as suas casas. Dia 31, Selma Schmidt mostra, em reportagem, que as favelas se acham dominadas por exploradores de terrenos públicos e alheios, que ali construíram, também sem licença, centenas de casas que alugam para terceiros. Tais reportagens demonstram que a permissividade e a displicência com que a Prefeitura encara as construções desordenadas nas favelas não resultou em benefício aos mais necessitados e só serviu para enriquecer meia dúzia de espertalhões.

MARIO C.F.BRITO
(31/10), Rio

  • Muito boa a reportagem da página 12 de domingo. Finalmente se tocou no grande problema da favelização do Rio. Enquanto não se corrige esta situação, qualquer tentativa do tipo Favela-Bairro será sempre uma injustiça. Os grandes proprietários, que exploram a boa gente que mora nas favelas do Rio, não pagam impostos, taxas, IR, nem IPTU. Entretanto, ao pobre suburbano da Zona Oeste, sem estradas, sem condução, sem assistência, não é perdoado qualquer atraso.

RUY MOZZATO
(por e-mail, 31/10), Rio


Nota: a carta abaixo enviada ao jornal O Globo não foi publicada.

Jornal O Globo, domingo, 31 de outubro de 1999

Assunto: Os donos das grandes favelas

Sra. Amelia Rodrigues 
Editoria Rio 
Jornal O Globo 

A respeito da matéria publicada no jornal O Globo, hoje, dia 31/10, "Os donos das grandes favelas", gostaria de lembrar que esse mesmo jornal já publicou uma matéria sob o título "Favela sofre processo de verticalização" no dia 15 de novembro de 1998, aonde o próprio Sr. Sergio Magalhães declara: "Acho que um prédio de três pavimentos, em tese, é razoável" e que "após as obras do Favela-Bairro, será criada uma legislação urbanística específica para a região". O repórter diz ainda "O crescimento para cima tem um importante incentivador, o secretário municipal de Habitação, Sérgio Magalhães". 

Um ano após essas declarações, nenhuma legislação foi até hoje feita e membros do próprio governo, o sub-prefeito da Barra, Sr. Rodrigo Bethlem e o sub-prefeito da Lagoa, sr. Ricardo Rotemberg reclamam da especulação imobiliária nas favelas. Ora, de duas uma: ou os "governantes" nos estão passando atestado de imbecilidade, ou esquecem o que declaram nas reportagens. 

Gostaria que essa editoria acessasse a minha homepage "http://www.geocities.com/Athens/Crete/6913 - Favela Bairro a falência de uma política habitacional - aonde as inúmeras denúncias feitas por mim e associações de bairro, devidamente protolocadas nos diversos órgãos públicos, inclusive no Ministério Público Estadual, jamais foram levadas em consideração. 

Maria Lucia Massot 
arquiteta e moradora do Recreio dos Bandeirantes


Jornal O Globo, Cartas de Leitores, domingo, 7 de novembro de 1999

Favela em encosta

  • A Rocinha e o Morro Dona Marta são o testemunho mais eloqüente da omissão da autoridade municipal no que diz respeito à preservação das encostas dos morros. É necessário que o prefeito adote urgentemente - medidas que impeçam a expansão das favelas nas encostas. Isto é possível e fácil de realizar. Exemplo: a rápida derrubada de edificações e delimitação da favela que se formou no morro onde se localiza a desembocadura do Túnel Rebouças, no Rio Comprido. Outro exemplo: o magnífico parque ecológico, em frente à Lagoa Rodrigo de Freitas, onde outrora existiu a Favela da Catacumba. Posteriormente à delimitação, há que se estudar o acesso amplo e fácil a todos morros onde se localizam as favelas. Esta via permitira à polícia, com mais segurança e eficácia, o acesso ao topo dos morros, hoje tarefa arriscada e malsucedida, quando é necessário proteger a população e combater os bandidos.

JOÃO MARIA F. VALENTE
(1/11) Rio.


Jornal O Globo, Cartas dos leitores, quinta-feira, 11 de novembro de 1999

Bairro-Favela

  • Brilhantes e oportunos os comentários dos leitores Castelo Brando e José Castro (10/10). Nossa cidade está se transformando numa "Cidade-Favela" e a Tijuca é o protótipo do "Bairro-Favela". Existem favelas por todos os lados, crescendo com a total conivência das autoridades municipais. A política iniciada no Governo César Maia foi totalmente desvirtuada pelo atual prefeito. Há meses, com espanto, vi um trator da Prefeitura rasgando a mata da Tijuca, ao lado do Morro da Formiga, abrindo uma estrada, como um convite oficial a novas invasões. Esta favela cresce desordenadamente, em direção à Usina da Tijuca. Com a palavra, as autoridades municipais, particularmente o secretário municipal de Habitação, Sérgio Magalhães.

GUILHERME LEITE 
(5/11), Rio


Jornal do Brasil, A Opinião dos Leitores, terça-feira, 7 de dezembro de 1999

Cálculo do IPTU

  • É lamentável que o cidadão seja forçado a engolir os devaneios eleitoreiros de políticos, que, por incompetência gerencial, manipulam as regras já estabelecidas para cálculo de tributos, simplesmente para fazer caixa que mantenha suas ambições pessoais. Agora mesmo, quando toda a massa de assalariados está sufocada com um congelamento salarial sem precedentes, enfrentando um retorno crescente da inflação, eis que o nosso alcaide, num arroubo de insensibilidade, propõe mudar as regras para cálculo do IPTU e do IPVA, para, segundo divulgado pela imprensa, atender ao social, certamente urbanizando favelas que deveriam, sim, ser erradicadas. Sr. prefeito, nos países do Primeiro Mundo, tão citados, quando convém, político que propõe aumento de impostos está liquidado. 

Sergio Martins Vianna - Rio de Janeiro.


Jornal O Globo, O leitor no globo, sexta-feira, 21 de janeiro de 2000

Frase do Leitor


  • "A Rocinha dobrou de tamanho para o lado da Gávea. Fui até o Arquivo Municipal e consegui uma foto da favela de 1931, bem no seu começo. Comparando o quanto a Rocinha era naquele ano e o que se tornou em 70 anos penso que nossos netos não terão mais encostas verdes tanto do lado de São Conrado quanto do lado da Zona Sul. Em breve não teremos mais a maior floresta urbana do mundo. Entendo que há problemas crônicos de habitação, por isso está na hora de um debate sobre o assunto, pois as implicações vão desde o desequilíbrio ecológico aos problemas de violência".

Henrique Corrêa Machado, Rio


Jornal O Globo, Cartas dos Leitores, 24 de janeiro de 2000

Favelas

  • Sobre a carta "Favelas" (17/01), gostaríamos de acrescentar que na lista de órgãos omissos na questão estão, acima de tudo, as autoridades maiores do Estado, que assistem à favelização vertiginosa sem qualquer reação responsável. É realmente triste ver a Mata Atlântica sendo destruída, o lixo espalhado por toda parte, o roubo generalizado de água e luz, a sonegação de impostos, a marginalidade fazendo da favela um refúgio seguro e, por fim, a transferência de todos esses ônus e custos para a já sofrida classe média que, desesperada e apavorada, não tem outra alternativa senão apelar para a imprensa. Permitir a criação e expansão das favelas é querer escravizar para sempre os pobres e humildes, protegendo os aproveitadores e marginais, e sufocando o cidadão médio.

MIGUEL KIHAIR
(por e-mail, 18/01), Rio


Jornal do Brasil, A Opinião dos Leitores, segunda-feira, 13 de março de 2000

Exemplo

  • O Professor Mario Moscatelli é um exemplo para todos na sua luta pela cidade. Se as autoridades não se importam com a Cidade Maravilhosa e sua extraordinária beleza natural, sua flora e fauna, nós, cariocas, sim. Que os moradores do Rio de Janeiro se unam para apoiar esse incansável biólogo em sua luta calada para salvar nossas lagoas. 

Maria Lucia Massot - Rio de Janeiro.


Jornal do Brasil, Opinião dos Leitores,  segunda-feira, 27 de março de 2000

IPTU

  • O JB registrou, em 24/3, a intenção do prefeito Conde de ampliar o número de contribuintes do 1PTU, reduzindo as isenções em áreas beneficiadas pelo Favela Bairro. Em princípio concordo com a medida: o pagamento do imposto deve ser entendido também como um direito do cidadão. Sugiro, contudo, revisar toda a política de renúncia fiscal da prefeitura. O setor hoteleiro, por exemplo, em 1997, foi beneficiado com isenção de R$ 4.000.000 para 423 imóveis, enquanto para habitação de baixa renda a renúncia foi de R$ 1.200.000 para 260.000 imóveis. 

Romay Conde Gorda - Rio de Janeiro.


Jornal do Brasil, A opinião dos leitores, segunda-feira, 27 de março de 2000

Desabafo

  • Gostaria de deixar aqui meu protesto contra a falsa propaganda divulgada pela prefeitura para atrair turistas, dizendo que o Rio está pronto para nos receber. Encontrei os seguintes problemas que não aconteceriam em cidades civilizadas em qualquer parte do mundo: visitar o Cristo e tirar fotos de andaimes de obras é indecente; andar de pedalinho no meio de peixes podres na Lagoa é imoral; passear no Aterro em meio a mendigos é assustador; passear com crianças no calçadão de Ipanema, ameaçadas por pitbulls, é ser irresponsável; tomar banho nas praias poluídas da Zona Sul é ser idiota; visitar a Região dos Lagos, que possui uma avenida linda chamada Via Lagos, pagar R$ 5,70 e ser ameaçado por pardais eletrônicos colocados estrategicamente para pegar turistas distraídos com suas belezas - pois as variações de velocidade são tão grandes que colocam motorista, durante todo o percurso, mais preocupado e tenso com os pardais do que feliz com o passeio - é burrice. Enfim, o Rio de Janeiro, é uma decepção para o turista e com certeza para quem vive do turismo. 

Paulo Pedro Pimenta - Porto Alegre.


Jornal O globo, Cartas dos leitores, sexta-feira, 7 de abril de 2000

Alma carioca

  • A ignorância, a demagogia ofendem o vernáculo com piedosas pérolas, como "favela-bairro", "menino de rua" e outros quejandos, mas, no caso concreto, nos interessa a existência das favelas. No Rio, os morros são a alma carioca. Por isso, cantar o Rio, para não soar falso, exige venerar os morros, isto é, exige dar prioridades aos morros. O cidadão consciente quer a urbanização nos morros, quer que ricos e pobres neles morem e convivam fraternalmente. Para cada condomínio de cem apartamentos de luxo, que sejam construídos conjuntos habitacionais modestos para dez mil moradores humildes e honrados.

ANTONIO PINTO RAMOS 
(31/3), Rio 


Jornal do Brasil, A opinião dos Leitores, segunda-feira, 10 de abril de 2000

Encostas

  • A Rocinha e o Morro Dona Marta são o testemunho mais eloqüente da omissão da autoridade municipal no que diz respeito à preservação das encostas nos morros. É necessário que o prefeito, um urbanista, adote medidas que impeçam a expansão das favelas localizadas nas encostas dos morros. Isso é possível e fácil de realizar. Exemplo: a rápida derrubada de edificações e delimitação da favela que se formou no morro onde se localiza a desembocadura do Túnel Rebouças, no Rio Comprido. Outro exemplo: o magnífico parque ecológico em frente à Lagoa Rodrigo de Freitas, onde outrora existiu a favela da Catacumba. Posteriormente à delimitação, há que se estudar o acesso amplo e fácil ao topo dos morros onde se localizam as favelas. Essa via permitirá à policia, com mais segurança e eficácia, chegar até lá para proteger a população e combater os bandidos. Por último, deve-se pensar em localizar no topo dos  morros favelizados um posto de saúde, um posto policial, uma escola e um templo de culto ecumênico. Dessa forma, não haverá espaço para e sim para a ordeira e laboriosa população que habita as encostas dos morros. E até os turistas poderão usufruir, com paz, da magnífica paisagem com que Deus privilegiou a cidade. 

João Maria F. Valente - Rio de Janeiro.


Jornal O Globo, Carta dos leitores, domingo, 16 de abril de 2000

Invasões de encostas

  • Li com profunda revolta a reportagem sobre as invasões de encostas nos morros dos Cabritos e da Saudade. Serei o único a achar que pessoas que invadem áreas de proteção ambiental, e que sejam "reassentadas dentro da comunidade" nos limites do Favela-Bairro, foram beneficiadas por suas transgressões? O Favela-Bairro não está sendo executado para que não houvesse mais esse tipo de solução? Para que servem as demarcações do Programa Favela-Bairro? Também vou me candidatar a invadir uma área de grande beleza natural, próxima à praia e com vista para a Lagoa. Alguém me acompanha?

DANIEL BERTOLOSSI BIATO
(10/4), Niterói, RJ


Jornal O Globo, Carta dos Leitores, 21 de abril de 2000

Desmatamento

  • Li que as autoridades estão prestes a demolir 26 casas de uma rua da Gávea que, ao serem construídas, agrediram a Mata Atlântica. Muito louvável. Gostaria de saber o que as autoridades vão fazer com relação a Rocinha, que deu a volta na crista da montanha e a cada dia derruba mais árvores para continuar a se expandir.

DARIO DE MENDONÇA E SOUZA
(por e-mail 19/4), Rio


Jornal do Brasil, A Opinião dos leitores, terça-feira, 9 de maio de 2000

Calçadas

  • Decreto municipal que prevê multas a respeito de calçadas traz à baila  importante tema. As prefeituras, câmaras de vereadores, planos diretores de hoje ou de ontem, atendendo ao interesse de bares e restaurantes, permitem que se coloquem mesas e cadeiras nas calçadas, privatizando o mais público dos direitos: o de ir e vir. É um absurdo! Ao submeterem à exploração econômica de uns poucos o espaço que é por direito natural de todos, estão sendo incivilizados. Depois não reclamem se criarem o MSC: movimento dos sem-calçada. 

Luiz Eduardo Silva Cerqueira - Rio de Janeiro.


Jornal do Brasil, A Opinião dos leitores, quarta-feira, 10 de maio de 2000

Calçadas

  • Agora temos um decreto, assinado pelo prefeito, que multará os proprietários de imóveis que não cuidarem das calçadas correspondentes aos mesmos. Tudo bem. E quando a calçada já tiver sido loteada pela prefeitura para instalação de telefones públicos e abrigos de paradas de ônibus com propagandas de sorvetes e outras? Muitos ganham nessas calçadas (Telemar, Nestlé, diversas linhas de ônibus, táxis), pois fazem do local um ponto comercial, movimentado por pessoas que as danificam e sujam. É justo que o condomínio ou o proprietário se responsabilize pelas conseqüências disso? Nunca fomos questionados sobre se concordávamos com essas distribuições em frente aos nossos imóveis. E quando o abrigo é usado como dormitório por estranhos, que nos atemorizam e fazem ali sua necessidades fisiológicas? 

Ricardo Gomes Magalhães - Rio de Janeiro.


Jornal O Globo, Cartas dos Leitores, terça-feira, 16 de maio de 2000

Vida na favela

  • A vida das comunidades carentes em zonas não regidas pela legislação urbanística não é fácil. Fora várias e sabidas restrições socioculturais, o morador convive com um microclima hostil gerado pelo adensamento a, das construções. Em boa hora a Prefeitura, consciente da permanência de seus moradores nesses locais, resolve estabelecer critérios legais de uso e ocupação do solo. Entretanto, parece interessante lembrar que se legisla sobre esta matéria para garantir a segurança das habitações e sobretudo as condições de salubridade dos moradores. Isto significa acesso ao sol, à luz natural, a uma renovação de ar que permita resfriar naturalmente os ambiente internos, ao sombreamento das vielas e ruas, para um microclima externo minimamente saudável.

CLÁUDIA BARROSO-KRAUSE
(por e-mail, 14/5), Rio)


Jornal O Globo, Carta dos leitores, domingo, 21 de maio de 2000

Lei nas favelas

  •  A Prefeitura do Rio tem espalhado por toda a cidade outdoors dizendo que o projeto Favela-Bairro é o maior projeto social do mundo. Realmente o é, mas me parece que se revela na prática, uma vez que o traficante de drogas ali continua encastelado, impondo suas "leis", mantendo toda uma comunidade sob o seu jugo, aterrorizando os bairros circunvizinhos com tiroteios, todas as vezes em que há disputa pelo controle de vendas das drogas, ou induzindo a comunidade a realizar apedrejamentos e bloqueio de ruas, quando a policia sobe o morro para enfrentá-los e alguém acaba morto. O recente episódio de Copacabana nada mais é do que a repetição de tantos outros. E não nos iludamos. Fatos como esse se sucederão enquanto o  bandido dali não for posto para fora. Dessa  forma, não há Favela-Bairro que resolva.

ERNESTO SECUNDINO (por e-mail, 17/05), Rio


 

Jornal do Brasil, A Opinião dos Leitores, segunda-feira, 29 de maio de 2000


Ocupação 

  • Ou o Rio controla as favelas ou as favelas acabam com o Rio (o que já está acontecendo). Para encontrar solução para esse problema social e criminal, a objetividade toma-se essencial. O combate ao crime na favela é impositivo, mas deve ocorrer simultaneamente com soluções sociais. A policia, infelizmente desmoralizada pelas ações de maus elementos e pela má vontade da imprensa, pouco consegue. Resta ao Exército cumprir o duplo objetivo: ocupação, com expulsão dos marginais, e construção de creches, escolas primárias, postos de saúde, execução de projetos de saneamento e limpeza com posturas municipais específicas. As unidades do Exército deveriam sofrer rotatividade acelerada para evitar contaminação, e possivelmente um estado de emergência localizado teria de ser implantado temporariamente. As despesas de tal programa seriam muito menores do que o custo social e financeiro que hoje pagamos. Não parece razoável chamar de "moradores de favelas" os arruaceiros ligados ao tráfico que sempre agem após cada intervenção da polícia. Os verdadeiros moradores que sempre agem após cada intervenção da polícia. Os verdadeiros moradores querem se ver  livre dos traficantes, mas não acreditam que a polícia ofereça solução. .

Pedro da Cunha - Rio de Janeiro



Jornal do Brasil, A Opinião dos Leitores, segunda-feira, 20 de maio de 2000


Lei paralela

  • Vivemos em uma cidade onde existem as leis do poder constituído e outra, a do poder paralelo. De um lado, esbarra-se na burocracia do Estado para se constituir uma microempresa, para se realizar uma pequena obra em casa, e há rigor para o automóvel estacionado  em local proibido; de outro, tudo é permitido:  a construção de casa em pleno canteiro central da Estrada Menezes Cortes (em frente ao Hospital Cardoso Fontes) e o estacionamento de automóveis - e de carcaças de automóveis - nessa mesma estrada, onde as oficinas colocam cones reduzindo a pista quase à metade.

 Sérgio Moura - Rio de Janeiro.


 

Jornal O globo, Cartas dos Leitores, sábado, 3 de julho de 2000

Não entendi

  • Francamente não entendi a idéia do prefeito Conde de construir o Centro Olímpico da Rocinha sobre terreno da auto-estrada Lagoa-Barra e em forma de passarela. Além de custar o triplo do que custaria se construído em terra firme (terreno é que não falta), proporcionaria de imediato uma expansão natural da favela para os terrenos que margeiam a Av. Niemeyer, destruindo assim a já tão castigada Mata Atlântica.

MARCO ANTONIO DE ANDRADE RAMOS
(por e-mail, 2/6), Rio


 

Jornal O Globo, Carta dos Leitores, quarta-feira, 21 de junho de 2000

Turismo prejudicado

  • O Rio de Janeiro é a porta de entrada do Brasil e poderia gerar bilhões de dólares e milhares de empregos apenas com o turismo se não vivêssemos situações insólitas. Quem deixa o Aeroporto Internacional percorre a Linha Vermelha. De um lado, só favelas; do outro, um esgoto. Esta não deveria ser uma área nobre da cidade? Não poderiam as favelas ser relocadas ao longo dos anos e disponibilizar estas áreas para outras finalidades? Na Zona Sul, os turistas deparam-se à  noite com a prostituição descarada ao longo da Av. Atlântica. De dia, ao irem à praia, constatam que Copacabana, Ipanema ou Leblon são na verdade esgotos. Que dizer do Vidigal? Não era para ser ocupado por restaurantes e hotéis? Não tem uma das vistas mais bonitas do mundo? O que aconteceu? Virou um favelão.

ROBERT MICHELSEN
(por e-mail, 18/6), Rio


Jornal O Globo, Cartas dos Leitores, quinta-feira, 20 de julho de 2000

Remoção de favelas

  • Com a reportagem "Favelas à beira da Avenida Presidente Vargas", de 16/7, O GLOBO mostrou a realidade da falta de providências para acabar com essas invasões. Até casas de alvenaria com dois andares estão sendo construídas em áreas do Metrô, embaixo de viadutos, trevos, passarelas. O Metrô diz que abre processos para reintegração de posse há mais de 20 anos. Daqui a pouco teremos favelados utilizando o  direto do usucapião. Não posso deixar de citar Carlos Lacerda. Se não fosse ele, o câncer das favelas estaria no Morro Macedo Sobrinho, na Catacumba, em volta da UFRJ, na Praia do Pinto, no Pasmado. É só consultar os Jornais da época e seguir o exemplo. Remoção já!

ARISMAR SENTO SÉ DE CARVALHO LEITE
(17/07) Rio.


Jornal O globo,Carta dos Leitores, domingo, 23 de julho de 2000

Menos favelas

  • Quero parabenizar o leitor Arismar Santo Sá de Carvalho Leite pela feliz citação (20/7) de Carlos Lacerda, que acabou com algumas favelas do Rio. Na época (1960) infelizmente o Exército não deixou acabar com a favela da Babilônia e Chapéu Mangueira.  Muita gente hoje se arrepende: na favela toda só existem algumas árvores.

LINA MOREIRA


Jornal O globo, Carta dos Leitores, quarta-feira, 26 de julho de 2000

Remoção de favelas

  • É com imenso pesar que li as cartas enviadas por pessoas supostamente informadas sobre as favelas. Desde o início do século várias tentativas de resolver o problema foram feitas. Entre as mais antigas está a idéia da remoção, que atingiu seu auge no período da ditadura, com muito derramamento de sangue e, ao contrário do que algumas pessoas acreditam, trouxe como conseqüências o ressentimento, o poder paralelo e o aparecimento de novos focos marginalizados na cidade. Não é possível que às portas do século XXI existam pessoas que se refiram aos favelados como detritos que devem ser eliminados.

EDUARDO TRELLES
(por e-mail, 25/7), Rio


Jornal O Globo, Cartas dos Leitores, terça-feira, 15 de agosto de 2000

Mão-de-obra local

  • A respeito da carta "Emprego na favela" (31/7), gostaríamos de informar que o Favela-Bairro, além de fazer uma intervenção urbanística e social, dá emprego aos moradores das áreas beneficiadas. Cerca de 50% da mão-de-obra empregada nas 58 comunidades com obras em andamento são oriundos do próprio local. Além disso, 1.972 garis comunitários cuidam da limpeza da comunidade onde residem. Nas 24 creches trabalham 552 pessoas, a maioria mulheres. Até o final do ano 332 agentes da política habitacional e 600 agentes comunitários de saúde estarão em atividade.

JORGE DE OLIVEIRA RODRIGUES, secretário municipal de Habitação (11/8), Rio


Jornal O Globo, Carta dos Leitores, quarta-feira, 31 de janeiro de 2001

Favelas cercadas

  • A reportagem "Cercas para frear as favelas" (29/1) me faz lembrar as Zonas de Proteção Ecológica que foram projetadas, em 1980, na Secretaria municipal de Planejamento, dentro do Programa de Proteção ao Meio Ambiente. Observamos que as áreas localizadas acima da cota de 100m perdem o interesse econômico e a conseqüente vigilância do proprietário, porque são non aedificandi, tornando-se mais acessíveis à favelização. A ZPE seria uma faixa delimitada a partir da cota 100, na qual se permitiriam atividades econômicas agrárias, como o cultivo de árvores para fins econômicos (para o qual se poderiam estender programas de incentivo então existentes). Havendo atividade econômica, não haveria favelização, que tampouco seria atrativa a cotas acima de uma ZPE - era a nossa tese. A cidade evoluiu, as ZPE então projetadas já não seriam as mesmas, porém valeria a pena consultar esse projeto, nos arquivos da Secretaria de Planejamento ou de Meio Ambiente.

JOSÉ FELÍCIO HADDAD
(por e-mail, 30/1), Rio


  • Age bem a prefeitura do Rio quando tenta conter o crescimento das favelas, cercando-as. Agiria melhor ainda se promovesse uma grande campanha - com ajuda da sociedade, do estado, da União e, se necessário, de organismos internacionais - para erradicar definitivamente as favelas que se instalaram em locais de impossível urbanização, construindo conjuntos habitacionais com a necessária infra-estrutura para os moradores. Morro não é lugar de barracos, mas sim de árvores. Barraco não é lugar de gente, mas sim depósito da incompetência do poder público e do conformismo da população.

LUIZ CARLOS M. NOGUEIRA
(por e-mail, 29/1), Bangcoc, Tailândia


Jornal O Globo, Cartas dos leitores, quinta-feira, 1º de fevereiro de 2001

Cerca nas favelas

  • Não bastava que os favelados vegetassem num mundo sem conforto, sem higiene, sem assistência, para que agora planejem lhe tirar seu bem mais precioso: a liberdade. O GLOBO de 29/1 estampa na primeira página prefeitura vai cercar favela do Rio. Os cidadãos que não têm condições de morar senão nas favelas vão assemelhar-se a detentos. A prefeitura pretende assentar favelados em casarões em ruínas na periferia da cidade e na região do Cais do Porto. A Justificativa é que os casarões custariam em torno de R$ 18 mil cada um. Uma pechincha. Mas não se deteve no fato de que esses prédios não oferecem segurança podendo ruir de uma hora para outra.

ERNANI MARTINHO D'OLIVEIRA
(30/1), Rio


  • É inacreditável que um prefeito que já exerceu mandato anterior pretenda cercar favelas para impedir seu alastramento, e prometa "comprar casarões velhos no Centro da cidade e no Cais do Porto, até 18.000 reais, para ali assentar os carentes". 

WERNER NEHAB
(por e-mail, 29/1), Rio


Jornal O Globo, Cartas dos Leitores, quinta-feira, 8 de março de 2001

Favelas cercadas

  • É boa a iniciativa do prefeito Cesar Maia de implantar o programa Preservando o Verde do Rio, conforme noticiado pelo GLOBO em 7/3. É com tristeza que vemos áreas verdes como o Morro do Vidigal e do Leme sendo devastadas impunemente para permitir o aumento insano das favelas. O prefeito teve a excelente idéia e a coragem de mandar cercá-las. Se isso tivesse sido feito há 30 anos, hoje o Rio seria mais digno do título de cidade maravilhosa.

JOSÉ AUGUSTO AZEVEDO 
(por e-mail, 7/3), Rio


Jornal O Globo, Cartas dos leitores, domingo, 30 de setembro de 2001

Discussão inútil

  • É uma discussão inútil saber quem deixou as favelas se instalarem nesse ou naquele lugar. O cidadão não quer saber quem permitiu que crescessem, mas sim quem vai acabar com elas. É sabido que os governantes atuais e os anteriores não têm coragem para mexer com isso, pois, afinal, trata-se de mexer em muitos votos. Melhor é deixá-las aparecer e crescer e depois fazer projetos do tipo do Favela-Bairro, em que se legaliza e se oficializa a invasão.

        LEONARDO REBELO
        (por e-mail , 25/9) Rio.


Jornal O Globo, Cartas dos leitores, sexta-feira, 12 de outubro de 2001

Legalizar favelas

  • Um grande absurdo esse Estatuto das cidades, que vai legalizar as favelas com mais de cinco anos. No Rio de Janeiro, onde nem o governador nem o prefeito combatem a proliferação de favelas, vamos virar o estado mais favelizado do Brasil. Os políticos não gostam de retirar favelas com medo de perder o grande número de votos proporcionados por elas. E quem não mora nelas como fica? Lembro que a Constituição federal determina que União, estados e municípios devem zelar por nossas paisagens, preservar matas e florestas, e proteger o meio ambiente.

        LEONARDO RABELO
        (por e-mail, 10/10), Rio


Jornal O Globo, cartas dos leitores, terça-feira, 24 de dezembro de 2001

Cidade dividida

  • A reportagem "Cidadania a ferro e fogo nas favelas do Rio" (23/12) explica o porquê do gradeamento das residências e das praças públicas, do avanço de sinal à noite, do medo de balas perdidas, assaltos e seqüestros relâmpagos. Desde há muito uma ameaça paira sobre a sociedade: o morro vai descer. Já desceu, caracterizando-se o conluio do crime organizado com o desorganizado. Essa mistura, por si só explosiva, vem sendo reforçada pelo fomento fratricida da luta de raças, classes, que visa à fratura da coesão social. O mais preocupante nisso tudo é a omissão do Estado, ao que se aliam organizações nacionais e alienígenas que alimentam um estado de coisas que intranqüiliza os homens de bem.

JORGE B. RIBEIRO
(por e-mail, 23/12, Rio)


Jornal O Globo,Carta dos leitores, sexta-feira, 28 de dezembro de 2001

 

Déficit habitacional

  • Favelas como a Rocinha ou o Vidigal não param de crescer. Até quando a prefeitura vai permitir que a floresta seja derrubada para dar lugar aos barracos? E não é demolindo casarões antigos em Botafogo ou no Catete que será resolvido o problema de habitação na cidade.

RODRIGO SIQUEIRA DE SOUZA
(via Globo On Line, 23/12), Rio


Jornal O Globo, Cartas dos Leitores, quinta-feira, 27 de dezembro de 2001

Chuvas e perdas

  • Todos sabem os reais motivos dessas tragédias causadas pelas enchentes: casas construídas em morros e favelas sem qualquer planejamento e lixo jogado nas encostas, em rios, valas, bueiros, sem a menor cerimônia. Eles chegam, constroem suas casas e se recusam a sair mesmo sendo avisados do perigo. Depois, quando acontecem as tragédias, perguntam: "o que vamos fazer agora? Não temos para onde ir, o que vou fazer agora com meus 10, 15, 20 filhos? Chega! não somos responsáveis por isso.

MARCOS SANTORO
(por e-mail, 26/12), Rio


  • Vejamos: os desabamentos ocorreram porque pessoas jogam lixo nas encostas. Mas elas jogam lixo nas encostas porque moram em áreas de risco; e elas moram em áreas de risco porque o poder público permite, ou seja, o governo é omisso e conivente.

FERNANDO BARREIRO
(por e-mail, 25/12), Rio


Jornal O Globo,Carta dos leitores, quarta-feira, 30 de janeiro de 2002

  • Guerra urbana

    Nesta terça-feira, 29/1, leio as manchetes: em São Paulo, aposentado se perde em favela e é executado; confronto entre PM e moradores de favela no Rio deixa quatro feridos e, durante o conflito, os moradores atearam fogo em dois ônibus e um carro, e apedrejaram dezenas de veículos estacionados na região. Além disso, interditaram ruas e avenidas com barricadas de pneus em chamas. São exemplos de uma violência gerada pela favelização das capitais, consentida pelas autoridades federal, estaduais e municipais, que insistem em tapar os olhos ao maléfico resultado da ocupação urbana desordenada. Um grande esforço deve ser feito para desmobilizar tais focos, essencialmente erradicando-se barracos por moradias dignas, arruamentos, saneamento, e apoio social. Programas como favela-bairro e outros do mesmo quilate só dão mais conforto aos que realmente controlam as comunidades: os bandidos.

    LUCAS DEL'SORT
    (por e-mail, 29/1), Teresópolis, RJ

  • Acabo de ler no GLOBO que mais uma guerra aconteceu nos morros do Rio Comprido e em ruas próximas com queima de carros e ônibus. Uma enxurrada de cartas e artigos mostra que a violência já está levando o cidadão pacífico e ordeiro à revolta contra este estado de insegurança. Mortes estúpidas de autoridades e de pessoas importantes estão levando os políticos a brincar com a verdade. É só papo furado e propaganda política visando às próximas eleições. O aparelho policial corrupto e despreparado física e materialmente nada faz para nos garantir a paz para o trabalho honesto e o ir e vir que nós merecemos. Acredito que somente as Forças Armadas, a única instituição ainda confiável, poderão dar um basta nessa situação.

    ARISMAR SENTO SÉ DE CARVALHO LEITE
    (por e-mail, 29/1), Rio

Jornal O Globo, Cartas dos Leitores, sexta-feira, 8 de fevereiro de 2002

Favelização do Rio

  • A respeito da reportagem sobre o grande crescimento das favelas no Rio de Janeiro, é fácil entender por que isso acontece. É por causa da tolerância das autoridades. Hoje é fácil construir irregularmente um barraco, ou até casa de alvenaria. É preciso que as autoridades ajam com rigor para controlar essas construções, pois esse crescimento implica diretamente o desmatamento de áreas verdes e a degradação da vida urbana para toda a sociedade. E ainda pode acabar em tragédia em épocas de chuva.

    MARCOS DE LUCA ROTHEN
    (por e-mail, 7/2), Niterói, RJ

  • “Favelas crescem em ritmo quase quatro vezes maior”, diz O GLOBO de 7/2. Neste crescimento está o resultado da acomodação dos governantes que poderiam modificar a situação, mas não o fazem por temer a rejeição das comunidades na hora do voto. E quando tomam alguma atitude, sempre há algum vereador da oposição pronto para tumultuar e obter liminares contra a remoção. O Rio de Janeiro está à mercê de um crescimento desorganizado, improvisado. Como resultado vimos a guerra entre policiais e traficantes no dia 6, em Bonsucesso; vimos os grupos de combate ao dengue descartando o ingresso nas comunidades da Tijuca, pois lá a autoridade é outra. Até quando?

    JOSÉ MEDEIROS
    (por e-mail, 7/2), Rio


Jornal O Globo, Carta dos leitores, sábado, 09 de fevereiro de 2002

Favelas crescentes

  • A reportagem sobre as favelas e o crescimento demográfico pede um estudo mais apurado, pede uma mesa-redonda para discutir já o planejamento familiar. Não é de hoje que a mídia divulga a miséria no país, e são sempre pessoas com muitos filhos. E as conseqüências aparecem todos os dias.

    ANTÔNIO JOÃO JARDIN
    (por e-mail, 8/2), Rio

  • Queria lembrar que a maioria das pessoas que moram nas favelas é formada por pessoas de bem, trabalhadoras, e que suas comunidades, independentemente de onde estejam localizadas, são as que menos recebem ajuda dos governantes. Ao criticar as favelas, a sociedade se esquece de que as pessoas não estão lá porque querem, mas porque não têm outra opção. Para tentar evitar o crescimento das favelas, basta os governos municipais e estadual, em conjunto, investirem na habitação popular, em lugares próprios e dignos, incentivando a população a construir nesses locais e o governo federal investir nos moradores do campo, combatendo a seca e incentivando a agricultura, para que eles não deixem suas terras para tentarem uma vida “melhor” nas cidades.

    FÁBIO RANGEL
    (por e-mail, 8/2), Niterói, RJ

  • O GLOBO publicou dia 7/2 reportagem sobre dados do IBGE mostrando que entre os dez bairros com menor taxa de crescimento populacional estão Centro, Zona Portuária, Rio Comprido, São Cristóvão e Santa Teresa, ou seja, áreas próximas ao mercado de trabalho e dotadas de amplo sistema de transporte. É o caso de a prefeitura, juntamente com os empresários, pesquisar os motivos desse esvaziamento e propor novos instrumentos que otimizem a ocupação dessas áreas, em vez de projetar a ocupação urbana para locais distantes e desprovidos de qualquer infra-estrutura.

    DAVID CARDEMAN
    (por e-mail, 8/2), Rio

Jornal O Globo, Cartas dos Leitores, segunda-feira, 11 de fevereiro de 2002

Problemas repetidos

  • Assistimos com tristeza e revolta ao estado a que foram conduzidas nossas
    cidades. Falo do Rio e de tantas outras cidades do país. São alagamentos com
    qualquer chuva mais forte. A cada chuva, mais vítimas e desabrigados.
    Cidades tomadas pela população de rua, tomadas pela insegurança e pela
    violência crescentes. Cidades tomadas pelo comércio ambulante, conseqüência
    do desemprego que cresce. Cidades onde se repete a cada verão a epidemia de
    dengue. Os que governaram nossas cidades sempre apregoaram a excelência de
    suas administrações; no entanto, o que vemos são os mesmos problemas se
    acumularem por governos e governos.

    PAULO SÉRGIO R. ARAUJO
    (por e-mail, 2/2), Rio

Jornal O Globo, Carta dos Leitores, quarta-feira, 5 de junho de 2002

Desviando da favela

  • Li que a prefeitura, a pedido do Exército, vai duplicar a Estrada do Camboatá, em Deodoro, para que seja possível entrar e sair da Vila Militar sem cruzar os acessos à Favela do Muquiço. Deve ser mesmo muito desconfortável o militar, indo para o quartel, ter de esbarrar com bandidos no caminho. Tenho uma sugestão: por que não levar esses quartéis para regiões mais tranqüilas? São Lourenço, Caxambu ou Campos do Jordão?

    RUBEM PAES
    (por e-mail, 4/6), Niterói, RJ

Jornal O Globo, Cartas dos Leitores, segunda-feira, 10 de junho de 2002

Via ameaçada

  • Vejo com apreensão novas favelas que tanto perturbam a vida na cidade do Rio de Janeiro. Agora estão surgindo duas novas favelas na Avenida Automóvel Clube, junto à Estação do Metrô de Inhaúma e ao lado da Ceasa em Colégio. São necessárias providências urgentes da prefeitura antes que fique inviabilizado o tráfego na Linha Verde.

EMÍLIO AMARAL
(por e-mail, 4/6), Rio


  • Fiquei assustado com a notícia de que o Exército tomou medidas para evitar que militares passem perto de uma favela dominada por traficantes. Se o Exército evita o confronto — não faço nenhuma recriminação aos militares — o que eu, simples cidadão desarmado, posso fazer para me proteger? Precisamos cobrar de nossa classe política uma atitude enérgica e rápida para combater o poder paralelo, antes que seja tarde.

    LUÍS ANTÔNIO C. P. DA MOTA
    (via Globo On Line, 5/6), Rio

Jornal O Globo, Cartas dos Leitores, segunda, 17 de junho de 2002

Cidade maltratada

  • Nos últimos dez anos foram construídas 170 mil novas casas em favelas. Quem financiou essas moradias? Quem permitiu a construção em áreas de preservação florestal, em terrenos do estado e em terrenos privados? Será que um punhado de votos de cabresto dessas comunidades vale o caos em que todos vivemos, com o fim da possibilidade de crescimento do turismo, o desmatamento, a redução de investimentos e a insegurança crescente?

    RICARDO JOSÉ NICOLAS DE MESQUITA
    (por e-mail, 13/6), Rio

Jornal O Globo, Carta dos Leitores, quarta-feira, 19 de junho de 2002

Ocupação social

  • Por razões de trabalho visitei uma favela no último fim de semana. Portanto, considero incrível que as autoridades ainda insistam em ocupação social ou instalação de batalhões nas favelas. A favela é gueto, tanto geográfico como social. Sem que ocorra uma mudança no seu traçado urbano, incluindo as residências dos moradores, a promiscuidade continuará imperando. As habitações na maioria dessas favelas são insalubres. Acabar com o gueto, isso é o fundamental. Mas não basta fazer cursinhos de informática ou de corte e costura. É necessário uma política firme e sem paternalismo.

    MARCOS DA SILVA NEVES
    (por e-mail, 18/6), Rio

  • Gostaria de saber a quem as autoridades estão querendo enganar ao anunciar ocupação social do Complexo do Alemão. Ocupação social não afasta e nem intimida os traficantes. Achar que as pessoas da comunidade com essa ação vão se opor ao poder do tráfico é pura fantasia. Já está mais do que na hora de as autoridades pararem de achar que a desigualdade social é a única raiz dessa violência, e atacar esse problema de frente. As pessoas de bem, que são as verdadeiras vítimas dessa desigualdade social, não matam, não roubam, não traficam.

    JOSÉ ANTÔNIO PORTELLA DA SILVA
    (por e-mail, 17/6), Rio

Jornal O Globo, Carta dos Leitores, quarta-feira, 22 de maio de 2002

Razões do inchaço 


  • O GLOBO de 19/5 mostra uma pequena imagem da favelização do Rio de Janeiro que, na verdade, estende-se por todo o país em intensidade crescente, gerando, ao lado da marginalidade criminal, outra marginalidade, a social, que se misturam e proliferam, tornando inúteis os louváveis esforços de integração dos órgãos de segurança, mesmo com a participação das Forças Armadas. Polícia existe para conter os desvios de uma sociedade organizada e não para conter uma sociedade estruturada no desvio. Este estado de degradação socioeconômica somente poderá ser contido com a adoção de uma política de planejamento familiar que forneça orientação e recursos gratuitos para pôr fim à natalidade irresponsável, que não mais encontra lugar no mundo atual. Só assim, daqui a alguns anos, os graves problemas de hoje não se transformarão em verdadeiro caos social.

ARTUR DELAMARE
(por e-mail, 19/5), Rio


  • O crescimento do número de favelas no Rio de Janeiro é uma conseqüência direta do descaso das autoridades com a política habitacional, que foi enterrada com a extinção do BNH na década de 80.

EMERSON RIOS
(por e-mail, 20/5), Niteroi, RJ


  • Finalmente um veículo de imprensa fala do crescimento desordenado das favelas no Rio de Janeiro e da destruição que isto provoca. Onde antes se via o verde da Mata Atlântica surge a desordem social. Isto é inconcebível e nos dá a sensação, mais uma vez, de total abandono por parte das autoridades. É preciso que alguém tome uma atitude para conter o crescimento das favelas e a destruição dos cartões-postais da cidade.

ANA CAVALCANTI
(por e-mail 20/5), Rio


Jornal O Globo, Carta dos Leitores, sábado, 25 de maio de 2002

Favela-Bairro

  • Finalmente o secretário de Urbanismo resolveu se manifestar a respeito da proliferação das favelas no Rio de Janeiro. O que está acontecendo com o Morro do Vidigal, com a Rocinha e outros lugares é um absurdo. De acordo com o projeto Favela-Bairro, não haveria aumento no número de barracos, pois todos os moradores seriam cadastrados e haveria fiscalização. Isso foi feito?

DANIEL BERTOLOSSI BIATO
(via Globo On Line, 21/5), Niterói, RJ


Jornal O Globo, Carta dos Leitores, segunda-feira, 27 de maio de 2002

Favelas sem limite

  • Deixemos de lado a hipocrisia sobre as favelas. Encaremos de frente os problemas da favelização desenfreada. No mundo não há um processo de favelização igual ao que ocorre no Rio, onde todos os morros e áreas livres vêm sendo assolados por mais de 700 favelas. Não há uma única paisagem desta cidade onde não se veja uma favela. E para cada nova favela temos um aumento da violência, com tráfico de drogas e guerra entre traficantes; enchentes em decorrência do lixo acumulado; doenças pela falta de saneamento; degradação ambiental com o desmatamento; desequilíbrio das finanças pelo não recolhimento de taxas, tributos e serviços; depreciação patrimonial dos imóveis residenciais vizinhos etc. O que verificamos é a conivência das autoridades, que vêem nos favelados um invejável eleitorado de um milhão de pessoas.

RODRIGO DA GAMA D'EÇA TEIXEIRA 
(por e-mail, 20/5), Rio


Jornal O Globo, Cartas dos Leitores, domingo, 23 de junho de 2002

  • Discordo da leitora Eleonora Ferreira Soares (18/6) quando diz que teve a grande idéia de transformar as favelas em condomínios fechados com guaritas guardadas pela PM. Seria legalizar o ilegal, ou seja, as invasões.

    HELENA M. CORREIA
    (18/6), Rio

Jornal O Globo, Cartas dos Leitores, domingo, 30 de junho de 2002

  • Alma carioca

    É imperioso valorizar a “alma carioca”, cuja essência é a convivência harmoniosa de ricos, pobres, remediados. A desarmonia que ora vivemos resulta do “miserabilismo”, que é a forma de populismo que se interessa com simpatia pela descrição da miséria e da gente humilde. A prefeitura deve urbanizar os locais pejorativamente chamados “morros”. É preciso conscientizar engenheiros, arquitetos, urbanistas, para o povoamento inteligente desses locais que passariam a chamar-se colinas cariocas.

    ANTÔNIO PINTO RAMOS
    (21/6), Rio

  • Como o modelo Favela-Bairro consagrou-se como regra de ocupação territorial, em vez de ser uma exceção, e visto que os cidadãos já aceitam que não é mais possível nem desejável erradicar as favelas, pode-se sugerir apenas que, a exemplo das cidades medievais, elas sejam modernizadas aos poucos. Uma solução para a chegada dos serviços básicos da sociedade — educação, saúde e justiça — aos cidadãos sitiados nesse modelo-problema seria a derrubada de algumas casas e a conseqüente pavimentação de estradas em curvas desde a base até o alto do morro onde atualmente estão instalados os QGs do narcotráfico. Os moradores deslocados ganhariam uma casa nova.

    PHILIP C. SCOTT
    (por e-mail, 27/6), Rio

Jornal O Globo, Carta dos Leitores, segunda-feira, 04 de julho de 2002

  • Favelas do Rio

    A atitude do prefeito Cesar Maia de assinar um decreto autorizando a legalização de construções irregulares em favelas é, no mínimo, contraditória considerando sua preocupação com a segurança pública. Olhando para as favelas do Rio verificamos que é necessário remover as construções irregulares para que seja facilitada a abertura de acessos para a polícia e a chegada de saneamento básico e demais melhorias.

    CARLOS ALBERTO DE MIRANDA
    (por e-mail, 2/7), Rio

Jornal do Brasil, Cartas ao Editor, domingo, 22 de dezembro de 2002

Moradias

  • Partindo da premissa de que a casa é o ponto de referência de um homem no mundo, é inadmissível convivermos como déficit habitacional atual. Ao planejar a criação do Ministério da Cidade, Lula demonstra que está montando uma máquina governamental voltada para tentar resgatar a divida social. Além de já haver determinado que o combate à fome será a prioridade, sinaliza agora preocupação com o problema da falta de moradias. Ele sabe que só através de agressivo programa de construção de casas reverteremos a situação vivida por legiões de miseráveis fria e academicamente rotulados de moradores de rua. Não podemos continuar convivendo com a situação do Brasil de hoje, na qual morar em favela passou a ser o "sonho de consumo" de grande parcela da população.

Júlio Ferreira, Recife, por e-mail


Jornal O Globo, Cartas dos Leitores, terça-feira, 22 de abril de 2003

  • Expansão de favelas

    O GLOBO de 20/4 informa que a prefeitura do Rio, após um mapeamento concluído em maio de 2002, descobriu mais 49 favelas e agora seu total chega a 752. O fato não deve surpreender pois, a continuar o crescimento irresponsável da população pobre, daqui a pouco teremos 1.000 ou 2.000 favelas. Sem planejamento familiar não haverá distribuição de renda que dê jeito.

    ARTUR DELAMARE
    (por e-mail, 20/4), Rio

    O prefeito Cesar Maia, ao afirmar que no Rio não estão surgindo novas ocupações, está mal informado ou esconde a verdade. Para citar apenas uma, o antigo galpão da Conab na Rua Leopoldo Bulhões, no bairro de Benfica, no coração pobre da cidade, está sendo invadido há meses e ninguém faz nada. No local já existe o comércio clandestino, característico das favelas, de frente para a rua, que também já tem uma das suas faixas de rolamento ocupada permanentemente pelos carros dos moradores. Já enviei diversos e-mails, desde o início da ocupação, à Ouvidoria da prefeitura e nenhuma providência foi tomada. Para o prefeito a cidade se resume às zonas Sul e Oeste.

    ANTÔNIO CARLOS F. DE ARAÚJO
    (por e-mail, 21/4), Rio

    Há cerca de dois anos O GLOBO publicou uma reportagem sobre o projeto de construção de cercas ao redor das favelas visando a impedir a destruição das matas do Rio. No entanto, a Favela do Vidigal já pode ser vista de São Conrado e continua crescendo. Também já se pode observar o crescimento das favelas do Leme a partir da Avenida Atlântica. Na Rocinha já há prédios de mais de seis andares. Tudo isto ilegal, sem esgoto e sem segurança. E quanto maior a favela, mais difícil combater o tráfico, que a usa como refúgio. E a prefeitura não faz nada.

    JOSÉ AUGUSTO MOREIRA
    (por e-mail, 19/4), Rio

    Um pequeno exemplo de como as ações públicas não são ágeis e eficientes na adoção de medidas para o bem-estar da população/contribuinte pode-se verificar na invasão promovida pelos sem-teto nas instalações da antiga CCPL, em Benfica, e no leito da linha férrea, a 100 metros daquela cooperativa. Esses casos simbolizam o que há pelo menos 40 anos ocorre na cidade e no estado: falta de ações que proporcionem dignidade, cidadania, habitação, saneamento, saúde, educação, oportunidade de empregos, gerando revolta, desesperança, promiscuidade e ociosidade, ingredientes favoráveis à pronta ação dos traficantes.

    LUIZ ANTÔNIO RIOS
    (por e-mail, 14/4), Rio

Jornal O Globo, Cartas dos Leitores, quarta-feira, 17 de fevereiro de 2003

  • Favelas em expansão

    Concordo com os leitores Daniel Costa (2/12) e Mauro Bernardo (13/12): as favelas estão crescendo assustadoramente e o Favela Bairro precisaria de uma velocidade estupenda para acompanhar. A secretária de Habitação da prefeitura, Solange Amaral, no artigo “Solução à carioca” (12/12), fala do projeto como se ele fosse um sucesso, o que não é verdade. O leitor Mauro chama a atenção para o que está ocorrendo no Vidigal e na Rocinha, mas há outras favelas menores que estão em franca expansão e ninguém noticia. Em Laranjeiras, às costas do Morro Santa Marta, as moradias vêm descendo em direção ao bairro, como também está ocorrendo na já falada Vila Alice. Não vemos integração alguma. Apenas o crescimento desorganizado, que espalha seus efeitos pelo bairro, com camelôs, pontos de vans clandestinas atrapalhando o trânsito e motos de pequena cilindrada, dirigidas por meninos sem camisa e sem capacete, sempre com outro na garupa, que passam velozes assustando pedestres e motoristas.

    MÁRCIA RUIZ
    (por e-mail, 13/12), Rio

Jornal O Globo, Cartas dos Leitores, quinta-feira, 18  de dezembro de 2003

  • Projeto para favelas

    Junto-me à leitora Márcia Ruiz, que ontem criticou o Favela-Bairro. Já estive em alguns morros que adotaram o projeto. O que se vê é uma pequena área reformada e o grosso continua do mesmo jeito. É bem verdade que qualquer melhoria faz diferença para a comunidade, mas isto é muito pouco diante da propaganda do governo municipal. Neste sentido não me surpreendeu o artigo “Solução à carioca”, de Solange Amaral, secretária de Habitação da prefeitura: trata-se apenas de mais um oba-oba sem relação com a realidade das favelas. E essa realidade é, por exemplo, a de ruas asfaltadas e depois esburacadas por bandidos que não querem que a polícia tenha acesso rápido ao alto dos morros, onde estão encastelados. O verdadeiro Favela-Bairro só vai acontecer quando desadensarem as favelas, estabelecerem critérios de espaçamento entre as casas, abrirem ruas, cobrarem taxas e impostos e levarem os serviços públicos até a comunidade.

    MÁRIO VERDI
    (por e-mail, 17/12), Rio

Jornal O Globo, Cartas dos Leitores, sexta-feira, 19 de dezembro de 2003

  • Casa demolida


    Inúmeros bares, restaurantes e casas comerciais são ampliados, com construções permanentes, usando as calçadas e os recuos das ruas, prejudicando o trânsito de pedestres e invalidando o plano urbanístico da cidade. Gostaria de saber do prefeito por que não se adota o mesmo critério para demolir também essas obras irregulares.

    RONALDO SANTORO
    (por e-mail, 18/12), Rio


Jornal O Globo, Cartas dos leitores, segunda-feira, 18 de outubro de 2003

Favelização do Rio

  • A recente entrevista do prefeito reeleito Cesar Maia, sobre a dificuldade de conter a expansão das favelas no Rio de Janeiro foi frustrante para todos aqueles que, como eu, votaram ele. Sente-se uma total ausência de projetos para o futuro de nossa cidade e jogo de empurra nas responsabilidades, atribuindo exclusivamente às igrejas o descontrole da natalidade e a conseqüente favelização da capital fluminense. É no mínimo adotar a política do avestruz. A população que votou em Cesar Maia merece uma resposta objetiva para esses problemas concretos de nossa cidade.

RODRIGO VILAR
(via Globo Online, 12/10), Rio

  • Sou eleitora de Cesar Maia e acho que ele está coberta de razão ao afirmar que o crescimento das favelas está ligado à elevada taxa de natalidade na população de baixa renda. Se os que discordam disso tivessem, como  eu, viajado para Teresópolis, na Região Serrana, no feriado do último dia 12, teriam visto, ao longo da rodovia, as conseqüências de não se implantar um planejamento familiar. Centenas de crianças abandonadas à própria sorte, pedindo brinquedos e comida na via pública. O Estado deve cumprir o seu papel de amparar essas crianças, mas não pode ser, por outro lado. sobrecarregado quando os próprios pais as colocam no mundo só para conseguirem mais uma fonte de renda.

MARIA HELENA COBUCCI
(por e-mail, 12/10), Rio

  • A entrevista de Cesar Maia sobre a impossibilidade de conter o crescimento das favelas pode ter sido sincera, porém não nos conforta. Cidades grandes, como o Rio de Janeiro, pagam o preço de um modelo de desenvolvimento fortemente concentrador. E um problema mais de política nacional e, por suas dimensões, deve demorar para ser resolvido. Investimentos em educação, lógico, são prioritários, mas não são tudo. Junto a isto, um intenso controle de ve ser exercido junto às áreas com poten cial de crescimento desordenado, impedin do-se o aumento desta ocupação que só resulta em mais problemas para todos. Aqui em Friburgo, um projeto muito interessante está prestes a ser implantado: a criação do Departamento de Engenharia Pública, que unem irá os mais carentes na construção de suas moradias fazendo projetos de forma a assegurar melhor qualidade e segurança dessas novas construções.

GIOVANI DE SOUZA PIMENTEL
(por e-mail 12/10), Nova Friburgo, RJ


Jornal O Globo, Cartas dos Leitores, segunda-feira, 31 de maio de 1999

Melhorando Paquetá

  • Há pouco tempo uma reportagem no GLOBO mostrou que Paqueta é o bairro mais tranquilo do município. Mas violência não é somente ter assalto todo dia. É também a falta de respeito pelo próximo. Neste bairro, a maioria dos moradores ouve som em volume alto, os cachorros têm donos mas andam soltos pelas ruas, as encostas estão se favelizando rapidamente, as ruas viram um lamaçal quando chove, o local de recolhimento das charretes virou uma cabeça de porco e a seu redor estão surgindo barracos. Onde estão a região administrativa e a associação de moradores?

NILZA DA SILVA
(21/05), Rio


Jornal O Globo, Cartas dos Leitores, domingo, 21 de outubro de 2001

Sagüis em Paquetá

  • O verdadeiro problema dos sagüis em Paquetá não é o da sua superpopulação, mas o da ocupação humana, que vem sendo feita em desacordo com as posturas municipais. A população favelada aumentou substancialmente e além disso verificou-se a construção de residências em cotas acima das permitidas pelo código municipal. Até a área do cemitério foi invadida com novas construções, implicando o desmatamento da cobertura florestal, a extinção do lençol freático e secando os poços que, na falta da CEDAE, forneciam água para a população. E agora alguns moradores vêm culpar os sagüis, chamando o lbama para resolver. Não é  problema para o Ibama, mas para a Secretaria de Obras, que tem por obrigação fiscalizar as construções e obras irregulares.

ALCINÉA SALGADO
(por e-mail, 15/10), Rio


Jornal do Brasil, Opinião do leitor, 12 de julho de 2006

Sem-teto

  • Que as recentes invasões a imóveis no Rio são preocupantes, ninguém discute. Não bastassem as terras serem ocupadas por famílias inteiras de desabrigados, agora são os prédios que ganham novos moradores. A novidade incomoda, mas é preciso pensar no que leva essas pessoas a invadirem casas alheias. Será que alguém se preocupou antes em saber onde elas moravam? O que há é a histórica falta de políticas públicas que atendam a essas pessoas, que lhes ofereçam moradia decente. Esperamos que as autoridades, agora, voltem os olhos para o problema.

José Evaristo Souto
Jacarepaguá, Rio


  • E difícil saber onde vamos parar. Falo da falta de perspectiva de moradia para tanta gente. Como pode faltar a moradia? Devemos, brasileiros, lembrar que é item básico previsto na Constituição Federal. De que vale a lei nestes casos? Claro, o direito à propriedade privada está na Constituição e continuam acontecendo invasões. O JB está jogando limpo, dando voz aos dois lados da questão e mostrando principalmente que a situação é grave. Talvez por falta de uma autoridade central que dê o exemplo, alguém mais rigoroso. Pena que rigor no poder público seja artigo cada vez mais raro.

Oscar Mendes Figueira
Laranjeiras, Rio

Jornal do Brasil, Cartas dos leitores, segunda-feira, 17 de outubro de 2005

Favelização

Já que se tornou relativamente fácil fazer um referendo, que tal exigirmos um referendo no Rio de Janeiro para saber se nós, cariocas da gema, ou todos aqueles que moram e adoram esta cidade, somos a favor de as favelas continuarem a crescer da forma que vem acontecendo ou se somos favoráveis à remoção, obviamente com construção de casas decentes, através de financiamento do material de construção, concedido pelo estado/município, com juros reduzidos e isenção de taxas durante um certo período? Os recursos viriam do próprio IPTU exorbitante que já pagamos e, tenho certeza, agradaria demais aos próprios moradores de bem das favelas.

Henriette Granja, Rio de Janeiro

Favela no Rio de Janeiro é um eterno dilema. Urbaniza ou remove? Esta discussão e indefinição completam cinco décadas. As duas alternativas já foram testadas. Vila Kennedy, Cidade de Deus, etc, são modelos de remoção. Favela Bairro e urbanização resolveram o problema? É evidente que não. As duas alternativas, em que pese as boas intenções, não focaram a questão como um todo. Meia dúzia de favelas removidas e menos de um décimo urbanizada. Os números das favelas são impressionantes: 1 milhão de pessoas e 250 mil moradias. Suas conseqüências imprevisíveis e incontroláveis. Decididamente, deixou de ser um problema municipal. É, sem a menor dúvida, de segurança nacional.

Antonio Negrão de Sá, Rio de Janeiro

Jornal O Globo, cartas dos leitores, 28 de março de 2007

Favelas

A respeito da verba para urbanização das favelas, há de se pensar antes numa política de contenção à expansão e de remoção ágil e eficaz, pois a melhoria nas condições de vida do local vai valorizar e alimentar os negócios imobiliários, proporcionando novas invasões e o crescimento vertical. A maquete da proposta para favelas do Complexo do Alemão contempla um imenso jardim, totalmente inviável — se em áreas nobres da cidade o poder público não dá conta da conservação de espaços públicos, imagine nesses locais. Basta passar pela Linha Vermelha para ver a estado das quadras e das áreas que deveriam ser ajardinadas na Favela da Maré — mato alto, árvores mutiladas, porcos pastando, depósitos de carros velhos, biroscas etc. Com tantos anos de experiência em urbanização de favelas nesta cidade, com todos os desacertos escancarados, porque ainda se insiste no mesmo modelo, ao invés de procurar criar condições mais aptas à nossa realidade social?

Ana Maria de Sá
(por email, 26/3), Rio

É um absurdo a falta de visão do projeto do governador de colocar teleférico na Rocinha. Ora, todos sabem, menos a governador, que sem segurança não existe qualquer outra atividade econômica ou social. Está ai o exemplo do famigerado Favela-Bairro da administração anterior, que não resultou em queda de criminalidade e só incentivou a expansão das favelas. O que a Colômbia fez realmente foi, em primeiro lugar, colocar a policia em quartéis nas comunidades para depois colocar o social (escolas, teleféricos, saúde etc.). Vamos deixar de demagogia e agir de forma inteligente e viável. Senão, o que vai acontecer os traficantes cobrarem pedágio da comunidade.

EDISON CUNHA
(por e-mail, 25/3), Rio

Não passam seis meses sem que se veja anúncio de investimentos na Rocinha: quando não com obras, são projetos sociais. Pergunto: por que só na Rocinha? E as outras favelas? E a Zona Oeste? Esquecidas por todos. Deve ser porque a Rocinha está próxima da Barra, onde mora grande parte dos poderosos que não podem ser incomodados com tiroteios e tumultos

  RONALDO JOSÉ AZEVEDO NEIVA
(por e-mail, 24/3), Rio

Jornal O Globo, Cartas dos leitores, segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Favelização

O crescimento das favelas não é um fato isolado do Rio de Janeiro. Assim como em outras cidades do país, este é um projeto bem engendrado por políticos para se manter no poder através desses currais eleitorais. O acesso à moradia por meio de invasões de terras públicas e privadas e a destruição do meio ambiente são maisfáveis que fazer planejamento urbano e rendem muito mais
 
(POR E-MAIL, 6/8)

RioNão nos bastasse o asfalto ruim, a falta de sinalização ou animais na pista, agora surge a favelização de nossas estradas. Uma nova ocupação se estabelece às margens da Estrada do Mato Alto, em Guaratiba, Rio. Via de mão dupla, estreita e sinuosa, que coloca em risco as vidas dos motoristas, dos transeuntes desta nova comunidade. E a prefeitura instalou, a alguns metros, uma lombada eletrônica para nos fazer sentir presas fáceis desses arruaceiros. Até quando teremos esta democracia enlameada e demagoga? Até quando vamos aceitar a omissão do estado sobre os nossos direitos?
LUIS CARVALHO
(por e-mail, 7/8), Rio


Jornal O Globo, Cartas dos Leitores, terça-feira, 25 de setembro de 2007

Alô! Prefeitura

Admira-me essa preocupação com a expansão das favelas. Claro que isso só poderia acontecer, até porque lá estão os redutos da banda populista da política carioca. Combater o quê, se têm moradia de graça, luz e água. Net pirata, armazém de tudo o que se possa imaginar? Removê-las nem pensar! A realidade é que bairros já viraram favelas e, se não cuidarmos, nossa cidade será um imenso favelão. Duvidam?
Benjamim Curi Filho
(por e-mail, 24/09), Rio

Jornal O Globo, Cartas dos Leitores, quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Nova favela

Num momento de tomada de consciência acerca das horrorosas consequências do crescimento desordenado _ tendo como ícone o surgimento e a expansão de favelas por toda a outrora cidade maravilhosa _ é desolador verificar que o poder público permanece em sua inação acerca deste flagelo carioca.
FABIANO BICHARA (por e-mail, 15/8), Rio


 

Jornal O Globo, cartas dos leitores, segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Favelização do Rio

Desde que as favelas, e por isso elas prosperam viraram currais eleitorais de políticos,e de interesse de aliciadores de votos, a tendência é aumentarem cada vez mais. 0 governo finge-se de morto e de desinformado, e assim a coisa vai de destruição em destruição, como se aqui fosse terra de ninguém Tal como o desmatamento da Amazônia que segundo o ministro diminui, mas não pára, o que significa que a destruição continua, só muda o ritmo __, o mesmo acontece aqui com as favelas, já ultrapassando o número de 650, só na cidade do Rio de .Janeiro
.ROBERTO LISBOA WAICHENBERG
(por  e-mail, 27/12), Rio

 

Jornal O Globo 01/09/2009 às 17h56m
Eu Reporter
Aumento da favelização em Paquetá preocupa internauta

Texto do leitor Paulo Caratori
RIO - Estou escrevendo para alertar sobre a favelização de um dos patrimônios da Cidade do Rio de Janeiro e do próprio Estado do Rio de Janeiro: Paquetá. Esta ilha, cheia de história, está com prédios históricos em ruínas, pontos turísticos pixados e sujos, placas turísticas de informação arrebentadas e sem manutenção.

Para piorar, duas favelas surgem em dois morros da ilha. E olha que a ela só tem uns cinco morrinhos. As duas favelas podem ser vistas por quem chega na ilha de barca. A primeira, mais visível, fica no morro em direção ao Iate Clube de Paquetá, à esquerda de quem chega de barca. Essa possui casas de alvenaria que crescem a cada dia.

A segunda favela fica do lado oposto, à direita de quem chega de barca. Ela possui umas casas verdes. Não consegui tirar boas fotos das favelas, que são construídas em lugares impróprios.


             Jornal O Globo, Dos leitores, 29/09/2010

             Uma nova favela

Uma boa notícia para o prefeito do Rio e para o governador do estado: logo após a saída do túnel do Joá, à direita, nasce uma nova favela. Hoje são
somente dois barracos, mas daqui a quatro anos, quando toda meta estiver derrubada e os córregos poluídos, teremos uma grande comunidade. Daí,
O "governo somando forças" entrará em ação e fará uma grande obra de fachada, com direito a escada rolante, e vai batizar de Complexo da
Comunidade do Joá. Afinal, aquela área dará uma grande visibilidade e retorno político, sem contar com o favorecimento das grandes empreiteiras. Infelizmente, é dessa forma que problemas tão sérios como moradia são tratados em nossa cidade e em nosso país. O governo vai transformar a cidade em uma grande favela, com muitas obras de fachada e maquiagem.

RODRIGO RAMOS MELLO
Rio

 
 

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Última revisão: setembro/2010