Manifesto

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"Grave paradoxo - Enquanto a Barra articula núcleos de combate à pobreza, chega à midia a palavra do economista de Harvard, EDWARD GLAESER, especialista em megacidades. Ele adverte para o fato de que a pobreza não pode ser tratada em nível municipal, mas federal. Se um prefeito do Rio, com a melhor das intenções, concentrar esforços para resolver o problema das favelas, pode acabar atraindo gente de outros lugares mais pobres e criar um paradoxo, aumentando a miséria do município. E agora, prefeito?" (Coluna J.A.Gueiros, Jornal O Globo, 1/08/99)


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Favela Bairro a falência de uma política habitacional

 

Números do déficit urbano e habitacional
(Jornal O Globo, 21/07/99)

  • 1,5 milhão de pessoas moram em favelas, condomínios degradados e loteamentos sem infra-estrutura. É o déficit urbano da cidade

  • 10 mil famílias vivem em condições de alto risco, é o déficit habitacional. Cerca de 50 mil pessoas, ou quase a população inteira do bairro do Leblon

  • R$10 a 15 mil é quanto custa para a Prefeitura reassentar em local seguro cada família que vive em alto risco

  • 5,5 milhões é a população estimada do Rio


Estimativa do Déficit Habitacional - 2000
Estado do Rio de Janeiro

(Observatório de Políticas Urbanas e Gestão Municipal - Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional - IPPUR - Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ)

 
Local
Déficit Absoluto
Déficit Relativo(%)
Região Metropolitana
286.951
9,22
Demais Regiões
92.326
9,75
Estado
379.277
9,35

Fonte: CIDE


Censo de 2000 no Município do Rio de Janeiro e na Cidade do Rio de Janeiro - 1.392.294 moravam em favelas o que correspondia a 9,6% da população

Na cidade do Rio de Janeiro 1.092.904 moravam em favelas o que correspondia a 78,4% do Estado e 18,6% dos moradores da cidade

No Estado havia 811 favelas, sendo 514 na capital

O Crescimento do número de moradores em favela na cidade do Rio de Janeiro entre 1991 e 2000 foi de 23,85%
Fonte IBGE  (censos de 1991 e 2000) e IPP

O déficit habitacional estimado pelo governo no Brasil é de 7,2 milhões de moradias
92% das famílias das famílias sem casa têm renda mensal de até 5 salários mínimos
(Fonte Jornal O Globo, 30/07/06)

FAVELA BAIRRO

A falência de uma política habitacional

Atribui-se a origem das favelas no Rio de Janeiro aos ex-combatentes de Canudos, que após a guerra, abandonados à própria sorte, sem dinheiro, sem teto, invadiram o morro da Providência, construindo barracos. Também aos negros, que após sua libertação, se refugiaram nos morros, em barracos.

Durante décadas, a cidade assistiu às invasões de seus morros. Nos anos 60 e 70 levas de mineiros, capixabas, estados fronteiriços, invadiram não só os morros como locais planos aonde é proibida a construção: ruas, canais, áreas non-aedificandi, de preservação ambiental, etc., criando favelas em locais afastados das áreas já consolidadas.

Assim foi no Recreio dos Bandeirantes e arredores, quando surgiram as primeiras favelas nesses locais, isolados do resto da cidade pela distância, precariedade da infra-estrutura e abandonados pelo Poder Público. Essas áreas não eram então das mais cobiçadas. O Recreio dos Bandeirantes era o lugar ideal para moradia da população carente que vinda do campo encontrava trabalho nas lavouras dos portugueses aí estabelecidos desde os anos 50 originários sobretudo dos Açores. Além da proximidade da praia.

O Poder Público quer Municipal, Estadual e Federal sempre se omitiu quanto a essas invasões.

Nos anos 70 e 80, após o fim do milagre econômico e com os inúmeros planos econômicos (cruzado, Bresser, plano verão, etc.), a classe média, sem condições de adquirir imóveis ou pagar aluguéis em seus bairros de origem, começou a emigrar para bairros mais afastados (Campo Grande, Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes) então mais baratos, expulsa de seus locais de domicílio. Muitos profissionais liberais (engenheiros, advogados, médicos), pequenos comerciantes, vindos de diferentes bairros da cidade, passaram a construir nas margens de canais, ruas, área de preservação, etc., seguindo o exemplo dos primeiros invasores, aumentando o número de construções ilegais nesses locais e atraindo os nordestinos, principal mão-de-obra da construção civil para a região. Como essas favelas são relativamente pequenas, sem o grau de violência de outros bairros, tornaram-se um local ideal para os que se beneficiam da ilegalidade.

Quando da elaboração do Plano Lucio Costa, houve preocupação em se a destinar uma extensa área para a população carente que certamente viria para a região, com o crescimento urbano. Foram previstas áreas no Itanhangá, Barra da Tijuca, Jacarepaguá e Recreio dos Bandeirantes, onde deveriam ser construídas casas para os menos favorecido.

Entretanto essas áreas jamais foram sequer levadas em consideração pelo Poder Público, e as favelas aumentaram enormemente nessas regiões, com exceção da Barra da Tijuca, quando um membro do governo sobressaiu-se por removê-las tendo por isso recebido uma enorme votação para vereador.

A Lei Orgânica do Município do Rio de Janeiro, aprovada em 1990, elaborou a política habitacional para o Município criando o programa de urbanização das favelas, chamado pelo Governo Cesar Maia de Favela-Bairro, assim como a Secretaria Municipal de Habitação para sua implantação. Entretanto interesses eleitoreiros falaram mais alto e as administrações César Maia e Conde, ignorando as leis de meio ambiente e a própria L.O.M.R.J que obriga a remoção das favelas em áreas marginais de águas de superfícies, em estradas municipais, estaduais e federais, em áreas de preservação ambiental, etc., resolveram urbanizar favelas, independentemente de sua situação geográfica.

A implantação do projeto Favela Bairro como está sendo feita em nada contribuiu para a melhoria da região. Pelo contrário, visando exclusivamente o lucro fácil, aproveitadores iniciaram um processo de favelização dos lotes lindeiros, até então ainda não atingidos pelas favelas, e a fiscalização da Prefeitura é inoperante. O Favela Bairro que serviria para frear o processo geral de favelização da cidade, age de forma justamente contrária: incentiva a favelização e as invasões, quando inclui no Programa indiscriminadamente todas as áreas favelizadas da cidade.

Invade-se tudo: morros, canais, ruas, praças, propriedades particulares, sítios tombados, surgem loteamentos clandestinos e favelas da noite para o dia, às escâncaras, sem qualquer fiscalização. Aguardam o Favela Bairro e a urbanização prometida pelos governantes.

Todos fingem: Os favelados fingem serem todos pobres, a Prefeitura finge que acredita, e a sociedade finge que não vê. Só não fingem os Bancos Internacionais que emprestam dinheiro com altos juros.

As favelas atualmente estão longe das favelas das décadas passadas. Hoje se encontram nas favelas situadas em área nobre tanto carentes , que brevemente serão expulsos com a valorização dos imóveis nos Favelas Bairro, como classe média e alta. Comércio sem alvará, quartos e lojas alugados, pertencentes sobretudo a aproveitadores que vivem fora das favelas. Não são apenas os de baixa renda beneficiados pelo projeto Favela Bairro. Todos os invasores independentemente de seu poder econômico ou de seu local de domicílio são beneficiados. Muitos, mesmo de baixa renda já possuem outras moradias em outros locais. O Poder Público compactua com a ilegalidade e as favelas se tornam currais eleitorais, o que é facilmente comprovado durante o ano eleitoral.

Como nada impede o crescimento das favelas beneficiadas, o projeto Favela Bairro se perde nele mesmo. As construções ilegais crescem em proporção geométrica em relação ao resto da cidade, o que invalida qualquer projeto. As áreas próximas às favelas são consideradas áreas favelizadas, aonde tudo é permitido em nome do social e as favelas continuam a crescer até atingirem os muros das construções legalizadas da classe média que passam a ser seus limites. No resto da cidade as obras sofrem fiscalização rigorosa.

Perdem todos: perde o cidadão que investiu suas economias numa propriedade, perde a Prefeitura que deixa de arrecadar IPTU, perdem os moradores a qualidade de vida tão ansiada quando se mudaram para a região e perde sobretudo a Cidade com a desordem urbana.

As primeiras ações movidas contra a Municipalidade por moradores prejudicados pela implantação aleatória do Favela Bairro pela cidade estão sendo ajuizadas nas Varas de Fazenda Pública e inúmeras denúncias estão sendo encaminhadas ao Ministério Público para abertura de inquéritos.

A classe média novamente se vê expulsa. Imóveis são vendidos a preço vil. Alguns privilegiados conseguem morar em condomínios fechados. A maioria não tem opção. Ou aceita a favelização ou procura outro lugar para morar. É entretanto a classe social que mais impostos paga, obrigada a descontar IR na fonte, pagar as prestações intermináveis do SFH, o IPTU, e quando constrói é obrigada a seguir a legislação, caso contrário é penalizada com multas e embargos. Mas não é sequer consultada em qualquer modificação urbana, sobretudo no Favela Bairro. A ela cabe pagar as contas. E abandonar mais uma vez seu domicílio e ir em busca de outro local para viver e de sua cidadania perdida na demagogia dos governantes.

Maria Lucia Leone Massot
Arquiteta e moradora do Recreio dos Bandeirantes

 

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Favela Bairro the failure of a housing policy

 

Urban and housing deficit numbers in Rio de Janeiro
(jornal O Globo, 21/07/99)

  • 1,5 million people live in slums, in sub-standard condominiums, or in additions without any infra-structure. This is the urban deficit of the city

  • 10 thousand families live in high risk conditions. This is the housing deficit. Almost 30 thousand persons, or almost the entire population of Leblon (an expensive neighborhood in Rio de Janeiro)

  • The City Hall spends 10 to 15 thousand reais (about 10 thousand dollars) to relocate each family living in a high risk situation

  • Rio's population is estimated at 5,5 million


Housing Deficit Estimate - 2000
Rio de Janeiro State

(Observatório de Políticas Urbanas e Gestão Municipal - Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional - IPPUR - Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ)

 

Place

 Absolute Deficit

Relative  Deficit (%)

Rio de Janeiro City

286.951

9,22

Other Cities

92.326

9,75

State of Rio de Janeiro 

379.277

9,35

Source: CIDE


FAVELA BAIRRO

The failure of a housing policy

The origin of the favelas (slums) in Rio is attributed to the former fighters of the War of Canudos, who after the war, abandoned to their own devices, without money, without homes, invaded the hills of Providencia and built shacks. Also it is attributed to the blacks, who after their liberation, sought refuge in the hills. For many years, even the city helped the invasions of its hills. In the years 1960-1970 waves of inhabitants from the frontier States of Minas Gerais and Espírito Santo invaded not only the hills, but also the flat land where construction was prohibited: on streets, water channels, areas "non aedificandi", open spaces dedicated to a healthful environment, where they created favelas in locations far from the center of the city.

Such was the story of the area known as "Recreio dos Bandeirantes" and its adjacent neighborhoods in Rio. When the first "favelas" appeared in these locations, they were allowed to stay because "Recreio dos Bandeirantes" was isolated from the rest of the city by distance; had a precarious infrastructure; and had been abandoned by the public authorities. At this time these quarters were not wished by the inhabitants of the city. But it was an ideal place to live for a needy population who found work after migrating from the countryside. They worked for the Portuguese predominantly from Açores, who had been living there since the 1950's. And of course, the nearby beaches attracted other settlers.

The government, whether municipal, state or federal always ignored these invasions.

In the years 1970-1980, after the end of "the Brazilian economic miracle" and with the innumerable economic plans (cruzado, Bresser, summer plan, etc), the middle classes who were not able to buy houses or pay the high rents in their native neighborhoods began to emigrate to places far away from downtown: (Campo Grande, Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes) which were then cheaper. Many liberal professionals (engineers, attorneys, doctors), small businessmen, arriving from different neighborhood of the city, began to build on the borders of the channels, on the streets, and preserved spaces following the example of the first invaders. They increased the number of illegal buildings in these areas and they brought the northeasterners, the principal workers in the construction industry in Rio, for this region. Since these "favelas" were relatively small and didn't have the same levels of violence as others, in downtown, they became an ideal place for the people who built in the illegality.

When the Lucio Costa Plan was conceived, there was a concern to plan for a large number of needy people who would certainly come to the area due to urban growth. Areas in Itanhangá, Barra da Tijuca, Jacarepaguá and Recreio dos Bandeirantes (nowdays very expensive) were to be set aside for building low cost housing for the poor.

But, these areas were never even thought of by any governmental organizations and the favelas increased greatly in these regions with the exception of the Barra da Tijuca where one member of the government is well knowing for removing them and in 1996 received a huge vote for "vereador" (City Council).

In 1990 the Organic Law of the Municipality of Rio de Janeiro outlined adwelling policy for the city which created a program to urbanize the favelas.Governor Cesar Maia named it the Favela Bairro (Neighborhood-Favela) and was created also the Municipal Housing Secretary to implement the plan. Meanwhile electoral interests and the Governor's administration, ignoring the laws about the environment and the Organic Law of the Municipality of Rio deJaneiro itself which obligates the removal of the favelas from the storm sewer easements, from the city's, State's and Federal's streets, and in the public spaces, resolved to urbanize all the favelas in the city independently from their geographical situation.

The implementation of the Favela Bairro project as it is being done, does nothing to improve the region. On the contrary, seeing the prospect of easy money, unscrupulous persons started a process of turning nearby lots into slums.

Until then these areas were not attached to the slums and the City Hall doesn't do anything to stop it. The Favela Bairro plan which was supposed to help stop turning the city into a big slum (favela) acted just the opposite: It promoted the slums and the invasions when it includes indiscriminately in the program all the "favelized" areas of the city, as they say in Rio.

Invasions occurs everywhere: on hillsides, on channels, on streets, on lagoons, on private property, on preserved sites, clandestine land parcels and new slums appear overnight, as everybody can see, but the City Hall doesn't do anything to stop it. All of them are waiting for urbanization plan promised by the government - The Favela Bairro.

Everyone pretend. The slum dwellers pretend to all be poor, the Prefecture pretends to believe (they are all poors), and the rest of society pretends not to see what is going on. Only the International Banks who loan the money with high interest rates don't pretend.

Today's slums are not like the ones of past decades. Nowdays you can find poor people in the favelas located in expensive areas, who will soon be throw out of these slums, as well as middle and upper class. Shops without permits, rented rooms and shops belonging primarily to those who don't live in the favelas. It is not only the poor who benefit from the Favela Bairro project. All the invaders no matter what their economic power or their place of residence receive benefits. Many, even the low income people, have other houses in other localities.The government makes a pact with the illegal activities and the favelas turned into "political corrals" what can be proven easily during an election year.

Since there is nothing to stop the growth of the slums receiving benefits, the Favela Bairro project "gets lost in itself". The illegal buildings grow in geometric proportion to the rest of the city. This kills any planning. Areas bordering the slums are considered as "slum areas" where everything is permitted in the name of the "social" and the slums continue to grow until they reach the walls of the legal buildings of the middle class owners. This is where the slums stop. But in the rest of the city, construction is rigorously taxed.

Everybody loses: the citizen who invests in property, the Prefecture who doesn't receive its taxes, the residents the quality of life they so wanted when they moved there. But most of all the city suffers because of the urban chaos.

The first lawsuits against the municipality by the residents prejudiced by the new assessments by the Favela Bairro everywhere are being tried in the Justice and countless complaints are being submitted to the Public Ministry to have inquiries started.

The middle class people are once again thrown out from their houses. Real estate properties are sold for little or nothing. Some privileged people manage to live in closed condominiums (a kind of constrution in Rio). But most don't have a choice. Either accept the encroachment of the slums or find another place to live.

But it is the social class which pays the highest taxes, obliged to pay Income Taxes , pay the unending loans from SFH (Financial Housing System), the IPTU (taxes you pay yearly for the house to the Governmet) and when they build they have to follow the existing laws or they're penalized with fines and liens. They aren't even consulted about any proposed changes in the city, especially in the Favela Bairro. They have only to pay the bills. And give up once again their homes and go off to look for another place to live and for their rights as citizens lost to the demagogery of their government officials.

Maria Lucia Leone Massot
architecte and resident in Recreio dos Bandeirantes

Translated by James E. Burke, Jr.

 

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L'échec d'une politique du logement

Les chiffres du déficit urbain et du logement à Rio de Janeiro
 (Jornal O Globo, 21/07/99)

  • 1,5 million de personnes habitent dans des quartiers pauvres, dans des locaux dégradés, ou sans  infra structure. C'est le déficit urbain de la ville. 
  • 10 mille familles vivent en conditions de "haute risque". C'est le déficit du logement. Presque 30 mille personnes, ou presque la population entière du Leblon (un quartier cher à Rio de Janeiro). 
  • La Mairie dépense 10 à 15 mille reais (10 mille dollars) pour réloger chaque famille qui vit dans les locaux d'haute risque.
  • La population de Rio est estimée à 5,5 million.

 Estimation du Déficit Habitacionale - 2000
État de Rio de Janeiro 

(Observatório de Políticas Urbanas e Gestão Municipal - Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional - IPPUR - Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ)

 

Région

 Déficit Absolut

  Déficit Relative (%)

Cité de Rio de Janeiro 

286.951

9,22

Autres Villes

92.326

9,75

État de Rio de Janeiro 

379.277

9,35

Source: CIDE


FAVELA BAIRRO

L'échec d'une politique du logement

L'origine de favelas (quartiers pauvres) dans Rio est attribuée aux ex-combattants de la Guerre de Canudos qui après la guerre, abandonnés à leurs propres sorte, sans argent, sans maisons, ont envahi les collines de Providencia et ont construit des cabanes. Il est aussi attribué aux noirs qui après leur libération, ont cherché refuge dans les collines. La ville a assisté les invasions de ses collines pour beaucoup d'années. Dans les années 1960-1970 vagues d'habitants des États frontaliers Minas Gerais et Espírito Santo ont envahi, pas seulement les collines, mais aussi la terre plate où la construction a été interdite: sur les rues, canaux de l'eau, les espaces "non aedificandi" e de Préservation Ambientale, où ils ont créé les favelas dans les banliers loin du centre de la ville.

Telle était l'histoire de la région appellée " Recreio dos Bandeirantes " et ses quartiers voisins à Rio. Quand les premiers " favelas " ont paru dans cette région, ils ont été permis d'y rester parce que "Recreio dos Bandeirantes " était isolé du reste de la ville par la distance; avait une infrastructure précaire, et il avait été abandonné par les autorités publiques. À ce temps les habitants de Rio ne voulaient pas y habiter. Mais c'était une place idéale pour vivre une population nécessiteuse qui a trouvé travail après avoir émigrée de la campagne. Beaucoup d'eux a travaillé pour les portugais d'Açores qui avaient vécu là bas depuis 1950. Et bien sûr, les plages proches ont attiré d'autres colons.

Le gouvernement de tous les niveaux (municipal, état ou fédéral) a toujours ignoré ces invasions.

Dans les années 1970-1980, après la fin du "miracle économique brésilien" et avec les innombrables plans économiques (cruzado, Bresser, plan de l'été, etc), les classes moyennes qui ne pouvaient pas acheter leur propriétés ni payer les hautes locations dans leurs quartiers d'origine, ont commencé à émigrer vers les quartiers loin du centre de la ville: (Campo Grande, Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes) lesquel étaient moins chèr alors. Des professionnels libéraux (ingénieurs, avocats, docteurs), hommes d'affaires, arrivant de différent quartiers de la ville, ont commencé à construire sur les frontières des canaux, sur les rues, et ont envahi ces espaces suivant l'exemple des premiers envahisseurs. Ils ont augmenté le nombre de bâtiments illégaux dans ces régions et ils ont apporté pour cette région les "nordestinos"(les gens du nord du pays), les principaux ouvriers dans l'industrie de la construction à Rio. Ces "favelas" étaient rélativement petits et n'avaient pas les mêmes niveaux de violence de favelas du centre de la ville, et ils sont devenus une place idéale pour les gens qui ont construit dans l'illégalité.

Quand le Plan Lucio Costa a été conçu, il y avait la préocupation pour prévoir un grand nombre de gens pauvres qui viendraient certainement à la région avec l'expansion urbaine. Dans les quartiers comme Itanhangá, Barra da Tijuca, Jacarepaguá et Recreio dos Bandeirantes (aujourd'hui très chers) a été prévu des espaces pour la construction de maison de bas-coût pour les pauvres.

Les organisations gouvernementales n'avaient jamais s'ocupée de ces régions et les favelas ont augmenté dans ces quartiers à l'exception de Barra da Tijuca où un membre du gouvernement est devenu bien connu pour les y enlever et en 1996 a été élu "vereador " (député municipal) avec une énorme votation.

En 1990 la Loi Organique de la Municipalité de Rio de Janeiro a esquissée la politique d'habitation pour la ville et a créé un programme pour urbaniser les favelas. Le maire Cesar Maia l'a nommé "Favela Bairro" et il a choisi le Secrétaire du Logement Municipal pour rendre effectif le programme. Mais les intérêts électoraux ont été plus forts et l'administration des maires Cesar Maia et Conde, ignorant les lois de l'environnement et la Loi Organique de la Municipalité Rio de Janeiro, laquel oblige à déménager les favelas situés sur des zone frontiers des riviers, cannaux, lagunes, sur les rues et dans les espaces publics, a décidé urbaniser tout les favelas dans la ville indépendamment de leur situation géographique .

Le projet Favela Bairro comme il est conçu, ne fait rien pour améliorer la région. Au contraire, avec la perspective d'argent facile, les personnes sans scrupules ont transformé les locaux prochain aux quartier pauvres en favelas aussi. Jusqu'à alors ces régions n'ont pas été attaché aux favelas et la Mairie ne fait rien pour l'arrêter. Le programme Favela Bairro qui a été crée pour cesser la ville de dévenir un grand Favela a joué au contraire: Il a encouragé les favelas et les invasions quand il inclue dans le programme, sans faire de distinction, toutes les régions "favelisée" de la ville, comme ils disent à Rio.

Les invasions se produisent partout: sur flancs, sur les canaux, sur rues, sur les lagunes, sur propriétés privées, sur les places "conservés", les parcelles de terre clandestines et nouveaux favelas paraissent tout les jours, comme tout le monde peut voir, mais la Mairie ne fait rien pour les arrêter. Ils attendent le projet de l'urbanisation promis par le gouvernement - le Favela Bairro.

Tout le monde simule. Les habitants des favelas simulent être tous pauvres, la Mairie simule le croire (que ils sont tous pauvres), et le reste de société simule ne pas voir. Seulement les Banques Internationales qui prêtent l'argent avec les hauts taux de l'intérêt ne simulent pas.

Les favelas d'aujourd'hui ne sont pas comme ceux du passé. Aujourd'hui vous pouvez trouver bien des pauvres dans les favelas localisés dans régions chères qui seront bientôt chassés, comme des propriétaires riches qui n'y vivent pas. Ce ne sont pas seul les pauvres les bénéficiés par le projet Favela Bairro. Tous les envahisseurs peu importe leur pouvoir économique ou leur place de résidence, reçoivent des avantages. Beaucoup, même les pauvres, ont d'autres maisons dans autres localités. La Mairie fait un pacte avec les activités illégales et les favelas deviennent des "corraux " politiques ce qui peut être facilement prouvé pendant une année d'élection.

Comme rien n'arrête l'augmentation des favelas qui reçoivent des avantages, le projet "Favela Bairro" reste perdu dans lui-même. Les bâtiments illégaux grandissent dans une proportion géométrique sur le reste de la ville. Cela tue n'importe quel projet. Les régions proches les favelas sont considérées comme "régions favelisées", où tout est permit au nom du "social" et les favelas continuent à grandir jusqu'aux murs des bâtiments légaux des propriétaires de la classe moyenne. C'est où s'arrêtent les favelas. Mais dans le reste de la ville, la construction est taxée rigoureusement.

Tout le monde perd: le citoyen qui investit dans sa propriété, la Mairie qui ne reçoit pas ses impôts, les habitants, la qualité de vie qui ils ont rêvé. Mais la plupart de la ville souffre à cause du chaos urbain.

Les premiers procès contre la municipalité ouverts par les habitants préjugés par le Favela Bairro sont essayés dans la Justice et des innombrables plaintes sont soumises au Ministère Public. Les classes moyennes sont encore une fois jetées dehors de leur maisons. Les propriétés sont vendues pour petit ou rien. Les privilégiés réussissent à habiter dans les "condomines fermés" (un genre de constrution dans Rio). Mais la plupart n'a pas de choix. Acceptez l'empiètement des favelas ou trouvez une autre place pour vivre. E poutant c'est la classe sociale que paye les impôts les plus hauts, obligée de payer des impôts sur son revenu, les emprunts interminables de SFH (Système du Logement Financier), le IPTU (impôt de la maison que vous payez au Governmet annuellement) et quand ils construisent ils doivent suivre les lois existantes ou autrement ils sont pénalisés. Ils ne sont pas consultés aux changements dans la ville, surtout le Favela Bairro. Ils doivent payer les comptes seulement. Et laisser encore une fois leurs maisons et chercher une autre place pour vivre et leurs droits de citoyens perdus par la demagogie des répresentants du gouvernement.

Maria Lucia Leone Massot
architecte et résidente au Recreio dos Bandeirantes

 

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